Uma História de Rabos Presos - Por Tania Brandão
Uma História de Rabos Presos

COLUNA SEGUNDA DE TEATRO
Trecho retirado de texto originalmente publicado em: Folias Teatrais
https://foliasteatrais.com.br/coluna-segunda-de-teatro-168/ 01/08/2022
A Companhia Cerne, de São João de Meriti, apresentará no SESC Tijuca até o dia 19 de Dezembro o espetáculo infanto-juvenil Uma História de Rabos Presos, dramaturgia e direção de Vinicius Baião.
A proposta instigante focaliza exatamente a necessidade de trabalhar com a formação cidadã das plateias jovens, urgência política gritante no país. A trama foi construída a partir de um argumento inteligente de Ruth Rocha; explora o que aconteceria ao nosso redor se rabos de verdade começassem a nascer nos poderosos da cidade. A cena é colorida e lúdica, humorada, musical, estruturada com habilidade para favorecer o ato de pensar a vida na coletividade, características do trabalho poético da equipe. A companhia é um exemplo palpitante do dinamismo que o teatro pode desencadear para a coletividade: além de mobilizar São João de Meriti, ela conecta diferentes eixos culturais da Baixada e sustenta um diálogo intenso com a cidade e o Estado. Este é o ponto: o diálogo. A circulação da fala, a fala como moeda humana para o entendimento, esta parece ser a chave mestra acionada pelo SESC, capaz de dilatar a definição de teatro e de estimular a ampliação permanente do entendimento do humano.
Uma História de Rabos Presos - Uma metáfora bem aplicada - Por Cláudia Chaves
Uma História de Rabos Presos

Uma metáfora bem aplicada
Originalmente publicado em: Jornal Correio da Manhã – impresso
Sem Exageros, a montagem explica a lógica da corrupção ao público infantil
O teatro infantil, normalmente, oscila em dois polos:
Peças tão maduras que ficavam incompreensíveis para as crianças ou o oposto, adaptação de contos de fadas, que tratavam as crianças como incapazes. Quando se vê o trabalho de teatro infantil da Cia. Cerne (de São João de Meriti) em “Uma História de Rabos Presos” fica claro o encontro feliz entre a mensagem da peça e adequação ao público.
Produção caprichada nos de Vinicius Baião consegue, em cenários, figurinos, luz, a montagem é livremente inspirada no livro homônimo de Ruth Rocha, vencedor do Prêmio Jabuti da em 1990. A adaptação e direção de Vinicius Baião consegue, em corretos 45 minutos, se manter fiel ao conflito entre políticos corruptos, empresários corruptores e tipos representantes da sociedade civil.
Em atuação com pegada cômica, o elenco dança, canta de forma eficiente, sem caricatura. Há o normal exagero na interpretação. Esse procedimento é fundamental para a comunicação e participação das crianças. A metáfora concreta de os corruptos irem ganhando rabos, esses irem aumentando até prender o Prefeito e o Fazendeiro, transformando-os em uma pessoa só, fica bem real com os rabos e os bonecos criados por Leandro Fazolla.
Essa comovente história, ainda que muito divertida, é uma lição para crianças e adultos sobre o mecanismo da corrupção e como ela prejudica as pessoas. Mas o final ainda é melhor, pois dos detentores dos rabos ficam efetivamente presos.

